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domingo, 25 de outubro de 2009

AS DORES DA ALMA E SEUS REMÉDIOS


5. MEDITAÇÃO PARA CURAR AS DORES DA ALMA

Assim, torna-se claro que a solução para essa vida de vícios e distrações é começar a, todos os dias, assim que acordar, antes mesmo de tomar banho, antes mesmo de tomar café, ficar com você de 20 a 30 minutos. Por que logo de manhã, antes de fazer qualquer outra coisa? Porque você é mais importante que tudo, e porque você ainda estará sentindo reflexos dos sonhos, ou seja, sua alma ainda estará falando com você. Então, ouça-a com amor e atenção, cuide dela com carinho, como cuidaria de um bebê.
Ficar com você é meditação, e é preciso lembrar que meditação não é só prática espiritual, é antes de tudo prática psicológica.

[MÉTODO DE CONTAGEM DOS MINUTOS: minutos 1 a 3 quer dizer, abriu o cronômetro, vai de 00m 00s até 02m 59s; e assim por diante; mas não se preocupe em ser tão preciso, o importante e "pensar" corretamente.]

1º PASSO - RESPIRAÇÃO (minutos 1 a 3)

Mantenha a respiração tranquila, sente-se em lótus porque essa posição favorece a meditação ao deixar a coluna totalmente ereta, mas pode também se sentar numa cadeira firme, de espaldar reto. Feche os olhos, trabalhe a respiração por uns 3 minutos. Inspire contando até 8, em seguida, expire, também contando até 8, exatamente como quando você conta os segundos mentalmente. Entre inspirar e expirar, há apenas um lapso de 1 segundo, no qual você retém a respiração presa.

2º PASSO - SONHOS (minutos 4 a 6)

E então, dedique-se por mais 3 minutos a simplesmente ouvir os reflexos dos sonhos, tentando fixá-los, concentrando-se primeiramente em sentir as sensações que eles trazem, para só depois tentar entendê-los.

3º PASSO - DIZ-QUE-DIZ (minutos 7 a 9)

Depois, dedique mais 3 minutos para ouvir, simplesmente ouvir, tudo o que se passa pela sua mente, aquele falatório, aquele ti-ti-ti que logo pela manhã já toma conta da cabeça. Ouça tudo de forma totalmente imparcial.

4º PASSO - SELECIONANDO AS CARTINHAS (minutos 10 a 14)

Depois, utilize a imaginação. Imagine que você é um funcionário do correio, e que centenas de cartas estão chegando por uma esteira à sua mesa. Da sua mesa partem também diversas outras esteiras que, aos poucos, vão ganhando nomes. E há também uma pequena caixinha de ouro, toda cravejada de pedras preciosas, bem à sua frente. A mesa não tem gavetas. A mesa é a sua mente, as cartas que chegam são ideias que brotam nela incessantemente. Sua função é identificar rapidamente a origem ou o remetente de cada ideia (porque cada ideia tem uma voz): é da mãe? Então joga na esteira que sai da sua mesa com o nome "mãe", pra enviar de volta pra ela. Boa viagem! É do amigo, coloque na esteira com o nome do amigo: tchau! É daquele chato do serviço? Coloque na esteira escrito chato e diga: já vai tarde! Pega aí de volta que isso não é meu. Prossiga assim com todas as ideias ruins: medo, preocupação, dúvida, raiva, mágoa, ressentimento, inveja, despeito, orgulho ferido, dor, choro de criança, etc. Porém, se surgirem ideias luminosas, coloridas, boas, do bem, alegres, emoções e sentimentos agradáveis que são autenticamente seus, guarde-os na caixinha dourada. Faça o mesmo com lembranças importantes para a sua responsabilidade, como por exemplo: "quero ir ao banco mais tarde adquirir mais uma cota de energia elétrica".

5º PASSO - PARANDO A MENTE (minutos 15 e 16)

Aos poucos, vá diminuindo a velocidade da esteira pela qual vêm as cartas, até fazê-la parar totalmente. Faça a mente parar de pensar, aos poucos, até parar totalmente. Se vier ainda uma idéia, coloque-a na esteira certa, ou então na caixinha.

6º PASSO - OUVINDO O SILÊNCIO (minutos 17 a 18)

Depois, feche a caixinha, e contemple o vazio da mente, ouça o silêncio da mente. Pare de pensar, permita-se agora sentir, apenas sentir a sensação de ser você, de estar dentro de você, de ser o dono da sua mente e do seu corpo. Sinta o corpo todo confortável, relaxe-o ainda mais, sinta seu coração batendo dentro do peito.

7º PASSO - OUVINDO A CRIANÇA INTERIOR (minutos 19 a 23)

Agora, ouça a criança interior, sinta o que ela está sentindo. Qual é a sensação? Qual é a emoção? Qual é o sentimento? Deixe-a se expressar, deixe-a falar. Faça questão de sentir o que ela está sentindo, solidarize-se com o sentimento dela; se ela estiver chorando, chore com ela. Depois acalme-a, dizendo para ela que você está sempre com ela, do lado dela. Então, abrace-a, faça com que ela se sinta protegida pelo adulto que você é agora. Expresse seus sentimentos para ela, diga calmamente que a ama, que a admira, que gosta muito dela e que sempre a respeita.

8º PASSO - SENTINDO AS FORÇAS DA VIDA (minutos 24 a 28)

Agora, concentre-se no centro do seu coração, no próprio átomo-centelha. E através dele, conecte-se com as forças do Bem, com as forças da Vida, com as forças divinas. Mentalize essas forças enchendo completamente o seu coração, aquecendo e iluminando a criança dentro de você, aquecendo sua alma. Sinta as forças da vida se espalhando e tomando conta de todo o seu corpo. Então, respire fundo, e solte o ar lentamente, permitindo que essas forças se espalhem por todo o seu quarto. Respire novamente e deixe agora que essas forças luminosas impregnem toda a sua casa. Respire mais uma vez e deixe que essas forças se espalhem pelas pessoas que vão entrar em contato com você por todo o dia de hoje. Mentalize essas forças divinas se projetando para suas coisas, seus objetos, para a comida que for cozinhar, para aquilo que for escrever e para tudo em for mexer.

FIM DA MEDITAÇÃO

Grave uma fita com essas instruções, sobrepostas a músicas adequadas, se possível, ou em silêncio. Ou então escreva-as resumidamente em cartões para ler rapidamente, abrindo um pouquinho os olhos durante a meditação. Tenha também um caderno para anotar o que vier à mente e você julgar importante, inclusive idéias da caixinha dourada; mas escreva apenas após terminar a meditação.
Faça essa meditação todas as manhãs, e sua vida mudará para melhor. Aos poucos, perceberá que a novela não tem mais tanta graça, o bate-papo no bar e nem a cerveja já não parecerão tão importantes, sentirá mais tesão em fazer coisas criativas do que em ficar assistindo à TV, e assim por diante. Não que você vá deixar de fazer essas coisas, mas elas garanhão a importância devida, e você fará tudo na medida certa, que é sua própria medida, sem exagero: com equilíbrio e temperança. Temperança porque agora as coisas serão apenas os temperos da vida, os sabores, as cores e os perfumes da vida, mas o alimento principal será você mesmo, será sua atuação no mundo, sua alma crescendo, sua criança interior se desenvolvendo, amadurecendo, sanando as feridas do passado... vivendo a vida por inteiro, a cada momento, aqui e agora.
Comente depois para que os outros Buscadores e o Plano Astral, que me inspirou essa lição, possam ter um retorno.

AUTORIA = LUCAS AURELI (17 de outubro de 2005)

Para agendar consultas diretamente com Lucas, ligue agora (11) 26267145, sua consulta poderá ser feita nos próximos minutos.



segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Ser e Aparência VIII

Para abdicar de ser MENOS, é necessário abdicar de ser MAIS. Uma coisa não pode acontecer sem a outra. É preciso abdicar do MAIS DO MAIS, isto é, da arrogância e da vaidade, e também abdicar do MAIS DO MENOS, isto é, da rebeldia orgulhosa.
Basta ser exatamente o que se é, sem MAIS nem MENOS.
Na verdade, deixando a vida seguir seu curso, sem tentar determinar o dia de amanhã, cada novo dia será uma nova descoberta e uma nova vida. E a cada dia você será, agora sim, um pouquinho "mais", porque evoluiu alguma coisa, e não importa o quanto, não importa se melhorou um pouquinho ou um montão, basta ter evoluído. Ou então não, porque também ninguém é obrigado a evoluir. Mas a evolução é quase inevitável. Mesmo que se pareça andar prá trás, também se evolui, porque a evolução não é uma reta ascendente, mas uma espiral cheia de altos e baixos. A gente está sempre dando dois passos prá trás pra pegar impulso e poder novamente saltar à frente... Não é à toa que Nietzche dizia que "se uma árvore quiser que seus mais altos ramos toquem o céu, suas raízes terão que tocar as profundezas da terra". Evolui-se mesmo quando se involui...
Para compreender isso basta observar a natureza. Mesmo quando um incêndio destrói uma floresta, há evolução, porque as espécies vegetais e animais são obrigadas a se reciclar, e renascerão mais fortes, e um ecossistema ainda mais perfeito vai se instalar no lugar daquele que foi consumido pelas chamas. Mesmo quando uma estrela explode, há evolução, porque serão gerados vários planetas passíveis de vida, e de novas formas de vida.
Sou só o que sou e respiro aliviado de qualquer pressão.
Sou só o que sou e não preciso me esforçar para ser mais nada.
Não preciso fingir ser coisa alguma.
Não preciso me preocupar em ser outra coisa.
E também não preciso me preocupar em não ser.
Não preciso nem mesmo querer.
NÃO PRECISO NEM MESMO QUERER!!!
Sou só o que sou agora, e sou tudo isso: sou eu mesmo, único e intransferível. Incomparável e inexplicável. Insuperável e insubstituível.
Para viver a vida... basta existir.
Não é preciso resistir a nada...
Você vai provar a vida, mas não é preciso provar nada...
Você vai ser, aliás, você já é!
E ser é só isso: ser. Não ser "isso" ou "aquilo", mas apenas ser.
Porque, apenas sendo, você será você, único e incomparável, exclusivo e insubstituível.
Em todo lugar a que vou, eu vejo e entendo as coisas do ser humano. Suas belezas, suas qualidades belas, seus potenciais de expansão, de expressão do ser único, sua individualidade se expandindo de maneira alegre e agradável. Vejo todas as suas diferenças, suas vicissitudes, seu lado explosivo, raivoso e selvagem, agredindo com garras de olhos sanguíneos, sempre que há qualquer competitividade, e tudo o mais...
Em todo lugar a que vou, seja aonde for, vejo o amor, especialmente quando estou entre amigos, entre gente bonita e razoavelmente realizada. O amor existe e é bonito, é só você prestar um pouquinho de atenção. O amor nada mais é que a identificação.
Assim, voltamos ao princípio de tudo isso que escrevi: o problema está na comparação. Comparação diz certo ou errado, melhor ou pior.
O amor é identificação. Identificação não diz nada...
O amor não tem palavras...

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

A Verdadeira Auto-Estima
por Lucas Aureli


Todos os conceitos de auto-estima carregam em comum a idéia de sentir-se bem consigo mesmo: gostar de si mesmo com todas as suas características, qualidades e "defeitos", respeitar-se, colocar-se em primeiro lugar, satisfazer as próprias necessidades e se valorizar. Sentir-se bem consigo mesmo é exatamente igual a sentir-se bem com o ser amado ou o melhor amigo, alguém que você ama e em quem confia, com quem existe cumplicidade, intimidade e sinceridade sem limite. Pessoas com baixa auto-estima geralmente têm a necessidade de estar sempre acompanhadas de alguém assim, pois só assim se sentem bem. A técnica oriental de isolamento, em que um monge permanece meses ou anos sem contato com ninguém, visa justamente ao desenvolvimento da auto-estima; ficando sozinho, aprende a gostar de si mesmo por meio da auto-compreensão, pois para se gostar de algo é preciso compreendê-lo. Assim, para possuir auto-estima real é preciso se compreender inteiramente: suas idiossincrasias, medos, desejos, manias e especialmente o lado sombrio da alma.
No entanto, a cultura cristã nos aconselha a sermos bons para os outros, de modo a sermos amados e estimados, e passamos a medir nosso valor pela quantidade de amor e aprovação que recebemos dos outros, ou por coisas materiais que possuímos, cargos e funções que ocupamos e até por algo bem mais vazio e muito comum atualmente: a popularidade ou celebridade que auferimos. Todas coisas que são externas a nós, portanto, que podem ser perdidas a qualquer momento. Não são garantia de uma auto-admiração fortalecida, pois, em última instância, por mais seguros que contratemos, não controlamos essas coisas externas e, se as perdermos, perderemos os sentimentos de valor próprio que a elas associamos. Mas quando a auto-estima é verdadeira, mesmo se perdermos tudo, continuaremos nos tratando com gentileza, carinho e bom humor, da mesma maneira que agimos com alguém que estimamos quando está em situação semelhante.
Em nossa cultura, que valoriza o poder em todas as suas formas: poder aquisitivo, político, familiar, de prestígio, etc., somos levados a nos desvalorizar desde o início de nossas vidas, quando ainda não possuímos parcela significativa desses poderes. Aprendemos a respeitar e bajular aqueles que os têm, de modo que nos colocamos em segundo lugar e esse sentimento é reforçado por pais, professores e amigos que se põem na mesma situação. Amar a si mesmo é considerado egoísmo, narcisismo e vaidade; você acha que corre o risco de parecer esnobe e vai perder o respeito e a estima das pessoas. Tratando todo mundo bem e sendo modesto você pensa que obterá o amor das pessoas. É aquela pessoa que, quando você entra na casa dela, diz: "não repare na bagunça"; e quando você elogia a comida dela diz: "imagine, uma comidinha de nada". Se você elogia a roupa dela: "ah não, é só uma roupa velha"; é aquele que diz "você primeiro" o tempo todo, prá todo mundo, porque isso é considerado educação. Então, parece que ser educado resulta em se colocar em segundo lugar, portanto, abdicar de ter sucesso na vida. Ser "educado", modesto, humilde é apenas uma forma de tentar controlar o sentimento das pessoas sobre você. Na verdade, você espera que as pessoas digam sempre o contrário: sua casa está linda, sua comida está ótima, você está muito bem. Mas será que é isso o que elas pensam? Na verdade, não importa o que as pessoas pensam, mas sim aquilo em que seu próprio subconsciente acredita. De tanto ser "educado", modesto e humilde, de tanto dar a preferência aos outros em nome de tentar controlar o que sentem por você, seu próprio subconsciente acredita realmente que você é inferior e incapaz, um ser humano de segunda categoria. Então, nada mais lógico para seu subconsciente que evitar que você ingresse num bom emprego, conquiste uma linda mulher, manipule grandes quantias de dinheiro... afinal, você é incapaz.
Quem melhor que você mesmo sabe o que pode fazê-lo feliz? Quem melhor que você sabe exatamente o que merece? Quem pode acreditar no que você faz melhor do que você mesmo? Quem pode lhe dizer, melhor que você mesmo, qual é o seu verdadeiro valor? Ser egoísta no sentido de cuidar do próprio ego, ter atitudes e treinar pensamentos e sentimentos que fortaleçam seu ego, para ter um "eu" maduro, saudável e íntegro, é uma coisa ótima. Quando dizemos que alguém é egoísta, no mau sentido, falamos de alguém que justamente tem um ego fraco, por isso precisa sempre tirar vantagem em tudo e obter a atenção das pessoas. É uma questão de foco: o egoísmo saudável tem o foco no próprio ego, no "eu", em si mesmo, é independente, autônomo, não precisa dos outros, da aprovação dos outros, mas é saudavelmente sociável e considera justo ser amado exatamente por aquilo que é. O egoísmo desequilibrado, "doente", tem o foco no exterior: precisa da aprovação das pessoas ou de símbolos de poder como dinheiro, correntes de ouro, um carro com motor potente, uma namorada capa de revista, etc. Esse é o sentido do egocentrismo, embora essa palavra pareça designar que o "eu" é o centro, na verdade esse centro funciona como um buraco-negro, que suga tudo a seu redor para tentar preencher o vazio interior. Também é o sentido da palavra vaidade, que deriva de "vanitas" ou vazio, vão.
Para evitar isso, a maneira mais simples é subverter o princípio subvertido que prega "faça aos outros aquilo que deseja que lhe façam" (na esperança tola de que vão fazer...) Assim, adote o princípio de fazer a si mesmo o que gostaria que os outros fizessem por você. Quer atenção? Dê-se atenção plena, preste atenção a seus pensamentos, sentimentos, necessidades e desejos. Quer elogios? Elogie a si mesmo em alto e bom tom. Quer presentes? Vá ao shopping. Quer alegria e emoção? Cante para si mesmo. Há melhor imagem de auto-estima que a de alguém que canta no chuveiro enquanto se massageia gentilmente? Ou sua versão de luxo: Fred Astaire cantando na chuva. Não se trata, no entanto, de auto-condescendência, pois que estamos falando de evolução. Podemos ter consciência de nossos defeitos e nos amarmos apesar deles mas, como a mãe que ri amorosamente da falta de jeito do bebê em manipular a colher, ter paciência conosco mesmo e tentar novamente. Isto é patrocinar-se a todo momento para melhorar em todos os sentidos.
Quem o conhece melhor que você mesmo? Quem melhor poderá suprir suas necessidades e satisfazer seus desejos? Lembre-se: para amar é preciso conhecer, assim, você é a pessoa mais capacitada para amar a si mesmo. Você é a única pessoa no mundo que pode cuidar do seu precioso ego, para que ele se torne a cada dia mais inteiro, realizado e cônscio de seu valor. Só então ele poderá atrair coisas boas para sua vida.
A auto-estima não é um objetivo para ser atingido e pronto, lá está; mas um processo constante a ser praticado diariamente, a cada momento, entendendo conscientemente e selecionando cada pensamento, sentimento e atitude. Significa sentir-se seguro de si mesmo em meio à insegurança, imprevisibilidade e transitoriedade da vida. Significa amar a si mesmo não importa a situação, pois mesmo se você "errou", sabe que na verdade fez o melhor que podia com a consciência, o conhecimento e a compreensão que detinha. Significa sentir-se forte e capaz, pois sabe que sempre fará o melhor que pode com seu corpo, inteligência e experiência. Quando não nos sentimos assim, tendemos a sonhar com uma solução mágica: ganhar na loteria, casar com alguém rico e capaz que cuide de nós, etc. Mas se você se colocou em determinada situação de vida, é porque é exatamente aí em que poderá aprender e evoluir. Uma vida absolutamente planejada, controlada e segura - sonho de muitas pessoas - não permitiria que você crescesse, aprendesse, se adaptasse e se fortalecesse. Por isso tal coisa não existe. Nem a riqueza nem o poder conquistam tal coisa, pois vemos todos os dias ricos, famosos e poderosos envolvendo-se em crimes, escândalos ou dramas pessoais que alteram radicalmente suas existências.
Quando o ego está saudável, completo e satisfeito (embora sempre dentro de um processo) consegue, aí sim, olhar para os lados e admirar espontânea e verdadeiramente outras pessoas: consegue amar outras pessoas, porque só é amor o amor incondicional. O amor que admira em troca de admiração, o amor que dá atenção em troca de atenção, o amor que acaricia em troca de carinho não é amor, é comércio, é o amor venal, da Vênus interesseira. Geralmente, é claro, se dá uma coisa em troca não da mesma coisa, mas de outra, por exemplo, admiração em troca de atenção, carinho em troca de coisas materiais, e assim por diante; não importa, é o mesmo amor venal. Só quem se ama pode amar verdadeiramente outra pessoa. Só quem se compreende e se permite ter "defeitos" (porque todo defeito, em sua essência, contém a semente da perfeição; todo "erro" é a estrada por onde caminha um acerto) consegue compreender e tolerar alegremente os "defeitos" dos outros. Como ninguém é perfeito, só assim se pode amar alguém. Portanto, "ama aos outros como a si mesmo" não é expressão do amor vaidoso, senão do amor tolerante e incondicional. Quem se ama não se magoa com os outros, não se sente traído, não se decepciona, porque não espera nada, não constrói expectativas.
Provavelmente a cultura do meio em que você foi criado o ensinou a deixar o amor-próprio em segundo plano, para não parecer imodesto ou, como diz o povo: "metido", "nariz empinado". Agora, é hora de aprender a se valorizar. Como em todo aprendizado, você pode começar por observar modelos de auto-estima. Não pessoas que vivem falando de si mesmas, esmolando sua atenção ou caçando elogios, mas aquelas que são naturalmente seguras, meigas, tranqüilas e incentivadoras. Pessoas que apresentam equilíbrio e confiança, que admitem seus erros e riem deles, que se aceitam como são mas mostram disposição para melhorar sempre. Em seguida, treine, pratique, preste atenção em seus erros, nos pensamentos, sentimentos, emoções e atitudes que minam seu amor-próprio. Por exemplo, quando obtém alguma vitória ou um pequeno sucesso no dia-a-dia, você logo liga pros amigos pra contar? Isso é sede de elogios, carência de aprovação, indicando que você não está se bastando: baixa auto-estima. O mesmo ocorre se você fica se compensando, por exemplo, "eu lavei a louça toda, então mereço uma fatia de bolo". Quem se ama sabe que sempre merece uma fatia de bolo, e sabe obter prazer das tarefas mais banais do dia-a-dia, como lavar louça ou varrer a casa; afinal, as coisas só são chatas se a companhia é chata: você mesmo. Se você se ama, você está lá, inteiro, está lavando a louça, tarefa rotineira e sem desafios, mas está na companhia de seus interessantes pensamentos, da sua excelentísssima pessoa, o que é uma honra única e particular.
Procure fazer alguns exercícios, como olhar-se no espelho e afirmar "eu me amo", e então, ouvir internamente qualquer dúvida que se apresente para questionar essa afirmação: isso lhe dará indícios das coisas que estão no subconsciente minando seu amor-próprio. Varie a frase "eu me amo" das mais diversas maneiras. Beije sua imagem no espelho e, se se sentir ridículo, tente detectar de quem é a voz de escárnio dentro de você, quem é a pessoa introjetada que duvida do seu amor-próprio: seu pai?, sua mãe?, sua ex-namorada?, seu melhor amigo?
A viagem do auto-conhecimento e da auto-compreensão, que pode ocorrer 24 horas por dia e só necessita de atenção e honestidade para consigo mesmo, fatalmente chega a seu destino: o amor-próprio, a auto-estima, o carinho muito grande por si mesmo. Amor, estima e carinho que, quando o preencherem completamente (e só então), transbordarão e atingirão outras pessoas e permearão todas as situações da sua vida. Mas não esqueça: não só a viagem nunca termina, como a chegada acontece o tempo todo, ou não acontece. Como uma lâmpada sempre acesa, que ilumina o entorno porque está sempre cheia de luz e está sempre se alimentando da energia que a sustenta. A lâmpada é você, a luz é o amor-próprio e o amor que transborda, a energia é a atenção e a compreensão. Então, ao compreender e admitir que você possui capacidade e merecimento, seu subconsciente não mais bloqueará as coisas de que necessita e aquelas que deseja e merece, mas, pelo contrário, as atrairá naturalmente, sem esforço, não magicamente, mas metafísicamente.

por Lucas Aureli