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sábado, 22 de maio de 2010

cigarro




Eu fumei cigarros por 25 anos! Parei de fumar há 2½ anos (ainda lembro: 28/5/2009). Parei simplesmente, não utilizei método, adesivo, remédio... nada. Só parei. Bem, usei de dois expedientes para isso, é verdade. O primeiro deles é que, como dividia a casa com outras pessoas, me obriguei a fumar apenas no quintal ou no jardim (mesmo que estivesse chovendo...), isso já me fez diminuir a quantidade de cigarros. O segundo foi que, uns 6 meses antes de parar de fumar, eliminei o hábito de tomar café, o que era o maior de todos os gatilhos para me fazer fumar. Dessa maneira (tendo de fumar no quintal e sem café), o número diário de cigarros foi diminuindo gradual e naturalmente. Quando vi, estava fumando 2 ou 3 cigarros por dia, só. Então resolvi parar... e parei! Não sofri, não sofri nadinha mesmo. Eu fumava uns 10 maços por mês (não é muito), então calculo que, tendo parado há um ano, economizei uns 400 reais. Legal! Calculo também que, tendo fumado durante 25 anos, tenha gastado uns 10.000 reais com cigarros em minha vida. Puxa vida! Daria pra comprar um carro! Talvez o valor seja maior, porque quantas vezes não ia tomar um café apenas para desfrutar de um cigarro "bem fumado"...? E os isqueiros, e os cinzeiros...? Porém, e obviamente, o dinheiro gasto não foi o maior prejuízo. E o tempo gasto? Porque fumar exige hábitos... Mas, pergunta inevitável: e a saúde? Bem, seja como for, eu parei. E não sinto a mínima falta mesmo. Escrevo isso apenas para fumantes indecisos. Vai firme! Corte os "gatilhos" que o fazem fumar e depois simplesmente pare. Dispense "métodos" e essa porcaria toda. Você pode! É lógico que pode. Pra mim, o cigarro foi apenas uma muletinha pra minha timidez, pra minha hesitação, uma muletinha pequenininha, de uns 8 centímetros... Hoje não preciso dela, aliás, nunca precisei: eu tenho o direito de me intimidar ou de hesitar. Intimido-me e hesito mesmo, e daí? Mas não preciso mais da muletinha... E respiro melhor, sinto muito melhor todos os sabores e todos os aromas, e nenhuma mulher mais reclama do meu hálito... Dois anos e meio já: parabéns pra mim mesmo!

sábado, 19 de setembro de 2009

AS DORES DA ALMA E SEUS REMÉDIOS

2. UTILIZAMOS TODOS OS DIAS VÁRIOS TIPOS DE DROGAS


Certos psicotrópicos, pode-se até considerar que podem ser úteis em determinados contextos rituais, religiosos ou iniciáticos; mas é patente que 99,9% dos adictos usam drogas simplesmente como válvula de escape, fuga, escapismo ou remédio. Cinema, TV e música também são coisas boas, depende de como se usa; se você é viciado em TV, assiste qualquer coisa o dia inteiro só para se distrair, então é claro que existe uma dor de alma que você não quer ouvir, não quer ouvir as vozes da alma que reclamam de dor dentro de você...
O traficante vicia o adicto para ele voltar a comprar a droga, e o mesmo fazem os novelistas de TV: o fato da novela passar todo dia, no mesmo horário, o fato do capítulo sempre terminar deixando um suspense no ar, uma isca, fora a propaganda que não te deixa esquecer da novela 24 horas, tudo isso caracteriza a novela como droga. E basta assistir a um pedaço de um capítulo de uma novela qualquer para perceber que é uma verdadeira "droga", em todos os sentidos: valores morais deturpados, intriga, maldade, prostituição disfarçada, vingança, ódio, baixaria, opressão, assédio moral, mentiras, traições, etc... uma lata de lixo emocional humana.... Você deixa de viver sua vida, durante 50 minutos, todos os dias, para viver a vida de personagens fictícios criados por uma mente doentia; você se distrai... se trai em várias direções... e ainda é capaz de chorar... o que até, convenhamos, pode representar uma catarse para as suas dores de alma mas, definitivamente, não representa a cura...
Mas muitas outras coisas, inclusive coisas maravilhosas, são usadas como drogas ou remédios: jogos (pobres crianças cibernéticas!), filmes, seriados, música (aquela pessoa que escuta música 16 horas por dia, e às vezes até dormindo), rádio (também, notícias 24 horas...), TV (assiste qualquer coisa que estiver passando), conversas (aquela que encontra a vizinha no portão e fica uma hora e meia, esquece da panela no fogo, do filho no banho...), papo de bar com bebida ("happy hour", hora feliz, então o resto do dia foi "sad hours", horas tristes...), comida, sexo, jogo de cartas e até dominó pode ser droga. Trabalhar também pode ser vício (o workaholic), bem como querer ajudar todo mundo, salvar cachorro e gatos de rua, rezar o dia inteiro, torrar a grana no bingo, limpar a casa compulsivamente, etc. Enfim, praticamente tudo nesse mundo pode virar droga.
Como sempre frisaram os sábios orientais, tudo depende da medida: em todo exagero há vício, em todo vício há exagero. Todo vício é um hábito, algo que se faz todo dia, ou a toda hora, ou o tempo todo, ou todas as noites, ou de dois em dois dias, durante meses e anos a fio; mas que se faz de forma exagerada, desequilibrada e compulsiva. Quando, então, a atividade em questão é um vício? Ou melhor, a soma das atividades, porque a maioria dos viciados tem mais de um vício, faz um verdadeiro revezamento de vícios, porque não pode trabalhar 24 horas, nem beber 24 horas, nem cheirar 24 horas, senão morre, então trabalha o dia inteiro e depois bebe a noite toda, por exemplo, etc. Então, repito, quando que as atividades em questão podem ser consideradas vícios? Quando a soma dessas atividades não deixa tempo para cuidar de si, para se ouvir, para cuidar da sua vida, para escutar a criança interior, para buscar a verdadeira cura.
E o que é cuidar da sua vida? É acordar para a vida. Você gasta muito, muito tempo, energia e dinheiro com seus remédios e vícios para aplacar, afugentar e disfarçar ou mesmo compensar as dores da alma. É como alguém com dor de canal dentário que toma analgésicos e antiinflamatórios fortíssimos e caríssimos todo dia porque tem medo de ir ao dentista tratar o canal... Só que no seu caso você tem medo de ir ao psiquiatra, ao psicólogo, ao terapeuta, ao consultor metafísico, ao conselheiro holístico, porque tem medo da dor que vai sentir ao abrir as feridas da alma... Ou pior: seu orgulho não lhe permite sequer admitir que elas existem... A maioria das pessoas tem a pretensão de achar que são muito bem resolvidas, e que o problema da sua vida são os outros, os outros é que são errados, problemáticos, loucos, doentes, chatos, ruins... eu não, eu sou perfeito, eu nunca caí da bicicleta da alma, nunca cortei um dedo da alma, eu nunca errei!...

AS DORES DA ALMA E SEUS REMÉDIOS


1. NÃO EXISTE ESCOLA PARA O AMOR

Para começar, não há escola, cartilha ou manual para as coisas mais complexas da vida, como as relações familiares. Há alguns ranços morais, religiosos ou oriundos da tradição e dos costumes, como por exemplo "honra pai e mãe". Mas não há "honra teu filho, teu irmão, teu tio"... Você aprende que deve respeito aos pais e aos mais velhos; mas não ao irmão, e aí vive brigando com ele... E mesmo o respeito aos pais é tão equivocado, imposto e unidirecional: é uma obrigação. Primeiro, porque respeito verdadeiro se constrói, não se impõe e, segundo, porque não há a contrapartida do respeito dos pais pelos filhos, por seus temperamentos, essências e verdadeiras vocações.
Não há escola, cartilha ou manual também para os relacionamentos amorosos, tão complexos, ainda mais agora que, depois de 1600 anos em que a mulher viveu um papel estrito, tudo mudou violentamente há apenas 100 anos, o que é relativamente muito pouco tempo. E se o papel da mulher mudou, o papel do homem, embora não tenha mudado, ficou velho, e também vai ter de mudar... Se hoje os homens dizem: "como mulher é complicada!", esperem, mulheres, para ver como que os homens vão ficar complicados quando começarem, por sua vez a mudar, porque terão de mudar... Não há escola, cartilha ou manual para as coisas mais complexas da vida: como também o são as amizades e as relações profissionais. Vemos apenas algumas coisas esparsas, artigos em revistas ou até livros, mas são pontuais e pouca gente interesse em estudar a sério, mesmo porque não são artigos sérios, e principalmente porque as pessoas tem a ridícula pretensão de achar que já nasceram sabendo...
É por isso que surgem as dores da alma.
Se você pega uma bicicleta e começa a andar sem ninguém lhe ter ensinado, ou mesmo quando alguém ajuda, é claro que vai cair e se ralar... Se você vai cortar legumes sem ninguém lhe ter passado uma técnica, é claro que vai cortar o dedo. São dores físicas. Ora, nos relacionamentos amorosos, familiares, amigáveis e profissionais, para os quais não teve educação, é claro que mais cedo ou mais tarde você vai se machucar, e surgem então, inevitavelmente, as dores da alma. Pode-se argumentar que toda criança recebe uma educação, mas a questão é que essa educação é pura hipocrisia, pois não ensina os verdadeiros valores da vida. Ensina a respeitar, agradar e ser gentil com os outros, para dessa forma angariar a aceitação e a benevolência dos outros; mas não ensina o auto-respeito, a autoconsideração, a auto-estima, o amor-próprio e a integridade de alma. Então você vai se machucar.
Quando ralamos o joelho ou cortamos um dedo, vamos buscar o remédio adequado: o mertiolate, a bandagem. Temos consciência de que se temos dor de dente, precisamos ir ao dentista para receber o adequado tratamento, sabemos que não adianta só encobrir a dor tomando analgésicos. Mas, para as dores da alma, das quais geralmente temos fraca consciência, é exatamente o que fazemos: ficamos tomando remédios que fazem as vezes de analgésicos ou anestésicos temporários, e vamos tomando os mesmos "remédios" todos os dias, formando hábitos. E são às vezes vários tipos de remédios sobrepostos. E assim não curamos o mal pela raiz, pela causa, pela etiologia. Esses "remédios", uma vez tornados hábitos, se tornam em vícios a que nos apegamos para abafar as dores da alma que não queremos ver (porque doem e porque nos humilham).
Esses vícios são adquiridos por pessoas que buscam constantemente distrações. "Distrair" que vem de 'dis': "para vários lados" mais "trair", numa interpretação livre; na etimologia oficial: do latim 'distrahere' puxar ou arrastar em diferentes sentidos*. Ou seja, ao se distrair, você se trai para vários lados, se trai com várias coisas do mundo: TV, jornal, música, bate-papo, rádio, livro, filme, novela, trabalho, obsessões, manias... Todas essas coisas que podem ser boas em essência (ou quase todas), mas a gente as usa como drogas, para esquecer de si, aplacar as dores da alma criadas pelos tombos que levamos na vida, machucados que não curamos, que apenas amortecemos, anestesiamos, porque não há escola para a vida...
CONTINUA...